Na foto dessa matéria (à esquerda) é possível ver que a cratera aberta está proxima de um bairro residencial. Já à direita, é possível ver a dimensão do deslizamento de terra, que aconteceu em uma área de mata na região dos bairros Piemonte, Vino Barolo, Quinta dos Vinhedos, Vista Alegre e Chácaras Alvorada, em Bragança Paulista. Bairros que ficam na sequência do Jardim Iguatemi.
Um deslizamento de terra arrastou árvores, pedras e muita lama para propriedades locallizadas abaixo da área onde houve a erosão, abrindo uma grande cratera e afetando proprieadades.
O que aconteceu
O Jornal de Bragança e Região apurou que, a Prefeitura iniciou um serviço em uma ponte existente na região, o que teria causado o primeiro deslizamento de terra nas primeiras semanas de fevereiro deste ano. No entanto, o pior aconteceu na semana do carnaval, quando o deslizamento de forte intensidade aconteceu à noite e arrastou mais árvores, pedras e lama, atingindo chácaras e sítios do bairro Chácaras Alvorada.
Segundo apuração do JBR, a grande quantidade de lama que desceu do morro (cuja cabeceira fica próxima ao Residencial Piemonte), atingiu o leito de um rio e chácaras, deixando animais de criação isolados, além de invadir os terreiros das casas e outras áreas externas. “Desceu muita lama, ficamos no lodo, com tudo da área externa atolado. Não encobriu os animais, mas muitos tiveram de ser resgatados através dos donos que enfrentaram o lodo para salvar os animais nos currais e sacarias, como de ração, além de equipamentos, que muitos guardam em locais fora de suas casas. O rio ficou irreconhecível”, disse uma fonte ouvida pelo Jornal, ao citar que acredita que a obra iniciada na ponte não tinha um projeto prevendo o desastre. Disse que já tinha um início de cratera e que, então, para mexer no local, era preciso ter um projeto prevendo a segurança da área e das famílias".
Outro morador, que também preferiu não ter o nome citado, contou que a situação foi tão grave que, o próprio prefeito Edmir Chedid chegou a ir no local, no feriado de carnaval. O JBR apurou também que, a Secretaria Municipal responsável pela obra na ponte (que teria gerado o desastre), foi a de Serviços, cujo responsável é André Bozola, ex-prefeito da cidade de Socorro.
Durante a reportagem, o Jornal soube que, após o deslizamento a Prefeitura iniciou uma obra de contenção no local e ajudou na remoção do lodo e árvores que invadiram as propriedades, fazendo uma espécie de força tarefa para limpar toda a área afetada. Quanto a possíveis prejuízos ambientais, as fontes ouvidas não sabem afirmar se houve, mas contaram que o lodo desceu com força e em grande quantidade, chegando ao leito do rio.
Medo
O que os moradores temem é que haja novos deslizamentos, já que completou 2 meses do primeiro e nada de efetivo foi feito para conter a área que desabou. “Nosso medo é que haja novos deslizamento, e que possa “engolir” a nossa rua aqui no Piemonte, pois, a cabeceira do local exato onde houve o desabamento está muito próxima dessa região habitada”, disse.
A Prefeitura
O Jornal de Bragança e Região também teve acesso a um documento da Secretaria de Planejamento respondendo alguns questionamentos sobre o ocorrido no local. Quem assina o documento é a secretária municipal de Planejamento, Mariana da Rocha Lima, que confirma na resposta que, a Prefeitura sabe da existência das grandes crateras na área. No documento, ela diz ainda que a municipalidade tem acompanhado com vistorias in loco, assim como com relatórios periódicos e medições realizadas com equipamentos instalados em pontos diversos da área, relatando a movimentação ou não da terra. Diz ainda que foi solicitada vistoria do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) que já esteve no local e que a Prefeitura aguarda a apresentação do relatório para a orientação em relação as intervenções e demais procedimentos que deverão ser realizados no local.
Risco de desabamento de Ruas
Sobre o medo dos moradores de que a rua seja afetada, disse a secretária Mariana Lima. “Conforme relatórios apresentados com medições dos equipamentos instalados na área, bem como as vistorias realizadas pela Defesa Civil, até o presente momento, não há riscos de desabamento de ruas e edificações das proximidades”. O documento foi assinado no dia 31 de março.
O Jornal de Bragança e Região deixa o espaço aberto à Prefeitura, bem como às secretarias e secretários municipais que queiram dar mais informações sobre o caso.